segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ÁGUA E PÃO

A porta se abriu e dela apareceu um homem vestido com roupas de mordomo.

Mordomo - Sejam bem vindos! Aqui eu trouxe água e pão para vocês. Isso se repetirá todos os dias. Aproveitem a estadia aqui.
Sr. L. - Quem é você?
Mordomo - Como você vê, sou apenas um mordomo.
Tália - Que lugar é esse?
Mordomo - Não posso dar mais explicações. Minha função aqui é apenas trazer água e pão aos hóspedes. Como já cumpri minha tarefa, devo me despedir. Até amanhã!
Sr. L. - Calma, você não pode sair assim!

A porta se fecha antes que o Sr. L. consiga se aproximar do mordomo.

Sr. L. - Droga! Amanhã eu pego esse cara!
Vênus - pelo menos agora temos água e pão. Olhem só, 3 fatias de pão e 3 copos de água! Somos em 5, eles não sabem disso?!
Íris - Teremos que dividir!
Dione - Podem comer, eu estou completamente sem fome.
Vênus - Preciso comer, porque estou começando a sentir abstinência de cigarro. Uma fatia de pão não substitui, mas pode dar uma enganada.
Íris - É uma boa oportunidade pra você parar de fumar.
Vênus - Nunca senti tanta vontade na minha vida como agora. Estou um pouco tensa!
Dione - Eu também! Que lugar será este? Quem é aquele mordomo?
Sr. L. - Talvez estejamos sendo observados por algum ricaço. Deve ter uma câmera em algum lugar dessa sala...
Tália - Se não forem traficantes de órgãos, são algum segmento de sadomasoquistas, com certeza!
Dione - Estou ficando assustada.
Sr. L. - Devemos manter a calma. Íris, por favor, pode separar o pão e a água para as pessoas que quiserem? Assim como Dione, estou sem fome. Portanto, podem pegar as fatias de pão você, Vênus e Tália. Apenas gostaria, se possível, de um gole de água.Tália - Posso dividir com você, se quiser!
Sr. L. - Muito obrigado!
Íris - Dione, quer dividir comigo um copo de água?
Dione - Ah, eu quero! Valeu! Estou com muita sede.
Vênus - Se alguém quiser dividir comigo também fique à vontade.

Sentam-se Tália e Sr. L. em um dos sofás, Dione e Íris no outro sofá. Vênus fica sentada no tapete, conversando com as duas últimas. Servem-se da água e do pão.

Tália - Então você é escritor?
Sr. L. - Tento ser.
Tália - Escreve sobre o que?
Sr. L. - Um pouco de tudo. Histórias de amor, histórias com conteúdo mais filosófico, contos de mistério, coisas do tipo.
Tália - Que interessante! Eu nunca conversei com um escritor.
Sr. L. - E agora deve ter percebido que não é uma grande coisa! haha!
Tália - Ainda não tirei minhas conclusões. Vou esperar o resto da conversa para saber. Até agora você está indo muito bem.
Sr. L. - Obrigado.
Vênus - Nunca uma fatia de pão foi tão gostosa!
Íris - Realmente!
Dione - Engraçado, ontem estava na minha cama dormindo tranquilamente e hoje acordei aqui.
Vênus - Isso aqui está me lembrando uma peça de teatro que já li. Só preciso de mais algum tempo para me lembrar dela. Sei lá, minha cabeça está um pouco confusa.
Íris - Eu sei do que você está falando! Adoro Sartre, existencialismo, essas coisas...
Dione - Nem sei do que vocês estão falando...
Vênus - Entre quatro paredes Dione.
Dione - Nunca ouvi falar.
Íris - Sartre foi um grande pensador francês e escreveu uma peça de teatro com o título de "Entre quatro paredes".
Vênus - Uma peça excelente, pra variar...
Íris - É incrível!
Sr. L. - Como é trabalhar no Burger King?
Tália - Cansativo e repetitivo. Eu fico no caixa. Não vejo a hora de sair daquele lugar. Sr. L. - Logo você consegue, é só mentalizar.
Tália - Você acredita nessas coisas? Eu já vi o filme do "Segredo". Não sei não, parece muito estranho.
Sr. L. - Essas coisas de repente ficaram muito populares não é? Mas eu acredito um pouco nesse negócio de energia, de mentalização. Só não se pode levar às últimas consequências. Já ouviu falar de viagem astral ou projeção astral?
Tália - Não que eu me lembre.
Sr. L. - Já aconteceu comigo uma vez. Foi como se minha alma saísse do meu corpo e andasse por aí para depois retornar. E o mais interessante: é completamente diferente de um sonho, pois você fica muito lúcido.
Tália - Que doido! Bem que isso podia acontecer comigo pelo menos uma vez. Quase não sonho. Talvez seja o cansaço.
Sr. L. - Alguma vez você teve uma espécie de pesadelo no qual você fica paralizada na cama e não consegue nem gritar por ajuda?
Tália - Como você sabe disso?
Sr. L. - É que isso acontece com todos. Isso é o início da projeção astral. Você estava prestes a sair do seu corpo, só que ficou muito apavorada e não conseguiu. Se ficasse tranquila, teria vivido a mesma experiência que eu tive.
Tália - Nossa, que estranho!
Sr. L. - Muito. As pessoas sentem medo e impedem a alma de sair do corpo pra fazer essa viagem astral.
Tália - Prometo pra você que dá próxima vez não vou me apavorar. Aí minha alma vai no seu quarto fazer cócegas nos seus pés! haha!
Sr. L. - Combinado! Quanto às cócegas, pode tentar, mas não conseguirá. Além disso, nem sinto tantas cócegas...
Tália - Veremos. Estou com sono, você não está?
Sr. L. - Bastante. (falando alto) Meninas, vocês não estão com sono?
Vênus - Nossa, estou pregada. E vocês?
Dione - Eu também!
Íris - Que tal dormirmos um pouco?
Sr. L. - Sim! Eu fico no tapete.
Tália - Acho que vou ficar no tapete também... Se você não se importar...
Sr. L. - Imagina.
Vênus - Vou naquele sofá que agora está vazio.
Íris - Acho que fico nesse que agora estou.
Dione - Então vou para o outro, no qual estavam L. e Tália.
Sr. L. - Então vamos dormir. Quem sabe amanhã essa situação se resolva.
Íris - É o que todos esperamos...

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