sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

ENTRE QUATRO VAGINAS - VENDA

Olá,

Estou vendendo meu livro no site Clube de Autores. O preço é R$ 26,76 . A cada obra vendida, receberei R$ 1,00. Estou fazendo isso porque quero muito ser lido e também por amor à literatura.




Espero que consiga vender ao menos um livro! rs

Aqui vai o link:

http://www.clubedeautores.com.br/book/38630--Entre_Quatro_Vaginas


Agradeço a todos desde já.


E vamos que vamos!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

BEM VINDOS

Resolvi criar esse blog para postar essa minha peça de teatro. Preciso de feedback dos leitores! Obrigado.

AS TRIPAS DO SR. L

Sr. L. Gritou desesperadamente. Ele não compreendia o que está realmente acontecendo. Na sua cabeça tudo estava confuso. As quatro mulheres nuas estavam com suas faces transformadas. Pareciam monstros. Seus rostos enrrugados. Olhos acinzentados. Elas o observavam enquanto ele gritava. Todas de pé com sorrisos maléficos. Uma fumaça começou a se formar no cubículo. L começou a se desesperar. O que estava acontecendo? As mulheres sorriam. Começaram a se aproximar lentamente. L. não sabia o que fazer, só gritava. A fumaça apenas ajudava a tornar mais assustadora a cena. Os quatro vultos o alcançaram. L. se entregou. As quatro mulheres o agarraram ferozmente. Estavam extremamente agitadas, como animais. Ele gritava. Todas caíram com seus dentes nele. Pareciam cães raivosos. Deitaram-no no tapete e o mordiam, arrancando pedaços. Ele só gritava, pois nada podia fazer. Viu seus dedos dos pés e das mãos serem devorados impiedosamente. Sentia uma dor insuportável. Elas mastigavam sua pele, seus ossos, chupavam seu sangue. Sr. L. estava quase desmaiando com aquela dor, aquele sofrimento. Porém, nada disso fazia com que elas parassem. Ele recebia as mordidas e era arranhado como se fosse um animal abatido por um predador violento. As quatro começaram a perfurar a barriga de L., talvez à procura de suas entranhas. Ele gritava, pedia para parar, mas nada surtia efeito. Logo viu que seu ventre estava aberto e que elas começaram a puxar suas tripas. Dividiram entre elas e se lambuzaram, mordendo bruscamente e engolindo cada parte. L. não entendia como ainda estava vivo diante daquela situação dolorosa. Uma delas com apenas uma mordida arrancou seu órgão genital. L. já não tinha mais os dois braços e as duas pernas, pois haviam sido quase totalmente devorados. Somente os ossos sobraram. Com seu ventre totalmente aberto, observou aquelas criaturas devorarem os últimos pedaços de suas tripas. Logo pularam em seu peito e começaram a mordê-lo. Não demorou muito para que o coração do L. ficasse totalmente exposto. Uma das mulheres arrancou o órgão com tudo e o dividiu em quatro partes. L. não parava de gritar. Desejava morrer. Aquela dor e aquela situação o fizeram preferir a morte. Elas comeram o coração. L. as observou atentamente. Estavam felizes aquelas ensanguentadas criaturas. Uma delas se aproximou da face dele, abriu sua boca e com um puxão arrancou a língua de L..Ele nem mais pôde gritar depois daquilo, somente sentia a dor. Outra das mulheres foi com tudo na direção dele com as unhas afiadas de modo a arrancar seus olhos. Fez isso sem compaixão nenhuma. Engoliu aqueles olhos e sorriu. L. ficou ali, sofrendo. Queria gritar. Queria se mexer. Tudo estava escuro. L. forçou novamente o grito.

(L. acorda)

Sr. L. - aaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!
Vênus - O que foi Sr. L.?
Sr. L. (suando) - Foi um pesadelo.
Vênus - Nossa, como você está pálido.
Sr. L. - É que o pesadelo foi horrível.
Vênus - Imagino.

(A porta se abre)

Mordomo - Aqui está o pão e a água. Até amanhã.

(A porta se fecha) (L. e Vênus se encaram)

Sr. L. - Acho que não vou aguentar isso muito tempo.
Vênus - Nem eu.
Sr. L. - Elas ainda não acordaram.
Vênus - Ainda não. Incrível como o sono delas é pesado não?
Sr. L. - Sim, é incrível.
Vênus - Isso me dá idéias.
Sr. L. - O que você está fazendo?
Vênus - Preciso tirar o atraso.
Sr. L. - Comigo?
Vênus - Não vejo outros homens aqui por perto.
Sr. L. - Sua danadinha. E quanto a aquele papo de gostar de mulheres?
Vênus - Eu disse que gosto delas, mas não disse que isso vai contra eu gostar mais de homens...
Sr. L. - Entendi.
Vênus - Está esperando o que pra me fazer feliz?
Sr. L. - Que você me beije.
Vênus - É pra já!

(Os dois se beijam e fazem amor enquanto as outras três dormem tranquilamente)

Minutos depois.

Vênus - Não conte para elas o que aconteceu aqui com a gente.
Sr. L. - Por que não?
Vênus - Porque você quer que isso se repita, não é?
Sr. L. - Claro!
Vênus - Então está avisado.

(Íris levanta)

Íris - Pessoal! (os chama com autoridade)

(todos olham para ela)

Íris - Acho que estamos mortos!

(Todos com cara de espanto)

O BEIJO LÉSBICO

Sr. L. - Do que você está falando?
Dione - Eu estava sendo seguida durante toda a semana passada...
Vênus - Como assim?
Dione - Meus pais são consideravelmente ricos. Donos de uma empresa de cosméticos. Geralmente eles não ficam em casa. Todos os dias almoço e janto no shopping, num restaurante que vende comida por quilo. Durante essa última semana um sujeito esteve nesse mesmo restaurante todos os dias no mesmo horário que eu. Fiquei muito desconfiada. Por incrível que pareça, esse homem era muito parecido com o mordomo daqui. Ainda não tinha me tocado disso. Até porque eu não lembrava de muita coisa. Agora me vêm imagens na minha cabeça nas quais esse homem aparece me seguindo no caminho para casa. Não sei se são imagens verdadeiras ou não.
Sr. L. - O que esse homem poderia querer com você?
Dione - Talvez me sequestrar...Como já disse, meus pais tem muito dinheiro.
Vênus - Realmente é possível.
Sr. L. - Esse pode ser o nosso cativeiro. Pode ser que tenhamos sido sequestrados e esses caras aplicaram alguma droga que faz com que a gente tenha perda de memória.
Vênus - Mas e como você explica a desaparição do mordomo? Ele sumiu de repente, como se fosse pó.
Sr. L. - Técnica militar. Quem sabe são mafiosos chineses. Os ninjas de antigamente sabiam muito bem desaparecer daquele jeito que ele fez.
Vênus - Realmente, ele tinha traços orientais.
Dione - Isso! Os traços orientais. Foi o que mais me chamou atenção naquele cara que me seguiu.
Sr. L. - As coisas estão começando a se encaixar...
(ficam pensando a respeito e calados)

(No canto do cubículo)

Íris - Isso, calma.
Tália - Estou muito triste Íris.
Íris - Não fique assim. Você é muito especial. Você é linda. Adoro morenas baixinhas.
Tália - Você gosta de ficar com mulheres?
Íris - Sou bissexual.
Tália - Nunca estive com uma mulher antes, apesar de ter vontade.
Íris - Acho que você iria adorar.
Tália - Você está tentando me seduzir é? Íris - Como adivinhou?
Tália - Você falou sussurrando no meu ouvido.
Íris - Você gosta disso?
Tália - Adoro! Mas fico com medo, nunca passei por algo assim...
Íris - Fica quieta e me abraça.
Tália - Ai meu Deus...O que você está fazendo?
Íris - Começando a beijar você...(beijo)

(Sr. L., Vênus e Dione observam calados por alguns segundos do outro lado da sala)

Sr. L. - Cof, Cof! Humm, bem, onde estávamos?
Vênus - Falando na possibilidade da gente ter sido sequestrado.
Dione - Tenho quase certeza de que foi isso mesmo que aconteceu.
Sr. L. - Queria ter mais lembranças. Queria saber como vim parar aqui. Essa droga que provavelmente eles aplicaram na gente deve realmente ser muito forte.
Vênus - Deve.
Dione - Estou com sono.
Vênus - Eu também. Sr. L. - Podemos tentar dormir um pouco.
Vênus - Desde que elas nos deixem fazer isso.
Sr. L. - Deixarão. Olha ali, já pararam de se beijar.
Vênus - Vocês se espantaram com isso?
Dione - Com isso o quê?
Vênus - Com o beijo das duas...
Dione - Eu não. Isso já é normal. Eu também gosto de meninas.
Vênus - Quê?
Dione - Isso que você ouviu. Eu acho que sou bissexual. Já beijei duas amigas e quase me apaixonei por uma.
Vênus - Pois saiba que adorei saber disso lindinha.
Dione - Assim você me deixa sem graça.
Vênus - E você L., achou estranho?
Sr. L. - Bem, não estou muito acostumado, mas não tenho nada contra.
Vênus - Bom saber que é um homem moderno.
Sr. L. - E você Vênus, também sente atração por mulheres?
Vênus - Desde sempre. Só que acho que prefiro homens. Não sei. Por exemplo, você é um cara perfeito, eu ficaria contigo.
Sr. L. - Obrigado. Você também é uma pessoa interessante.
Dione - Gente, vamos dormir? Não aguento mais, preciso cair no sono.
Vênus - Vamos! Íris, Tália, tudo bem aí? Que tal a gente tentar dormir?
Tália - Errr...Sim, claro!
Íris - Por mim tudo bem.
Sr. L. - Tudo bem então meninas. Vou deitar aqui no tapete. Bons sonhos para vocês.
Vênus - Espero que não sejam pesadelos.
Dione - E que a gente consiga sair daqui quando acordarmos. Tomara que meus pais paguem o resgate.
Sr. L. - (Fala pra si mesmo baixinho) Um morena linda, uma loira, uma ruiva e uma negra, todas lindas e nuas a minha volta...e é provável que mesmo assim nenhuma fique comigo. É L., você é um cara azarado mesmo...

(Dormem todos)

(Sr. L. acorda assustado. Olha para os lados e dá um grito: aaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhh, saia daqui!!!!)

SOCIABILIDADE INSOCIÁVEL

Sr. L. - Lembrar de quê?
Vênus - Pequenos flashs na minha cabeça.
Sr. L. - Pode nos contar mais sobre isso?
Vênus - Vejo um homem. Ele vem correndo na minha direção. Eu estou desesperada. O sujeito me olha de um jeito que eu não gosto. Não consigo lembrar do rosto dele, e isso me incomoda.
Sr. L. - Muito estranho. Tem mais alguma lembrança?
Vênus - Apesar de eu ser loira, como você vê, estava com uma peruca que me deixava ruiva.
Sr. L. - Olha, já que você é atriz, isso não seria nenhuma novidade.
Íris - Concordo.
Vênus - Talvez estivesse daquele jeito devido alguma peça. Pode ser a caracterização de uma personagem. Não sei.
Íris - Tudo bem, mas o que isso tem a ver com o fato de estarmos aqui?
Vênus - Nâo sei, mas o mordomo desse lugar me fez lembrar da imagem do homem que me perseguiu.
Sr. L. - Muito estranho.
Dione - Estou ficando com mais medo ainda. Sou muito jovem pra morrer gente, não posso mais ficar aqui! Sr. L. - Já disse para se acalmar menina. Estou aqui.
Tália - É, calma garota, não adianta ficar assim. Só está piorando as coisas.
Vênus - Não fale assim com ela, coitada. Ela é só uma criança, muito linda por sinal. Ela me faz lembrar de alguma outra coisa, só não sei dizer ao certo o que é.
Sr. L. - Feche os olhos e tente se lembrar, faça um esforço!
Vênus - Posso tentar...
Sr. L. - Pois faça! Pode nos ajudar a entender isso daqui.
Íris - É, o que seria de nós sem nosso esquecimento...
Sr. L. Nietzsche! Não é?
Íris - Exatamente!
Sr. L. - Adoro. Ele faz com que eu me sinta demasiadamente humano.
Vênus - Vou tentar relaxar aqui deitada no tapete. Quem sabe se eu me esforçar consiga me lembrar de alguma coisa.
Sr. L. - Tudo bem.
Tália - Engraçado, também não consigo me lembrar de nada. Só me recordo de ter que acordar todos os dias cedinho e pegar o ônibus.
Sr. L. - Vida muito dura a sua. Será que nunca te vi por aí em algum lugar?
Tália - Não sei, existem muitas morenas de 1,65 m de altura por aí, não?
Sr. L. - Mesmo assim, você não me é estranha!
Tália - Pois saiba que nem você me é estranho!
Sr. L. - Como assim?
Tália - Esse seu ar de superioridade, seus cabelos compridos, jeito de intelectual. Adoro homens assim.
Sr. L. - Você quis dizer que sou do tipo arrogante? (risos)
Tália - Não, muito pelo contrário!
Dione - Não aguento mais gente!
Sr. L. - Que você está fazendo Dione?
Dione - Vou bater nessa porta até alguém abrir!
Sr. L. - Pare! Isso não vai adiantar!
Dione - Vai sim! (começa a bater na porta).
Tália - Azar o seu, será a primeira a ser morta por esses bandidos!
Dione - Cale a boca sua imbecil!
Tália - Do que você me chamou?
Dione - Imbecil!
Tália - Agora você vai ver! (as duas partem para agressão física).
Sr. L. - Ajude-me a segurá-las Íris!
Íris - Droga, era só o que faltava!
Vênus - Parem suas doidas, isso só piora a situação! (as duas são separadas)
Sr. L. - Dione, Tália, o que deu em vocês?
Tália - L. meu querido, você viu como ela me ofendeu!
Dione - Isso porque você me irritou com seus comentários!
Sr. L. - Vamos parar com isso já! Chega!
Tália - Ok, Ok, L.! Já que você está pedindo, eu sossego. Espero que essa criança faça o mesmo.
Dione - É só você não me perturbar...
Vênus - Dione, venha aqui comigo minha linda. Não fique assim. Você está exausta, confusa, por isso está agindo desse jeito. Venha comigo no sofá, se acalme!
Dione - Tá bom. Você me lembra minha mãe.
Íris - E isso tudo me lembra um filme muito interessante que vi chamado Cubo. Os personagens viveram situações muito parecidas com essa nossa.
Sr. L. - Já ouvi falar. Adoro histórias assim, enigmáticas. Íris - Também gosto. Porém, pra falar a verdade, sou muito mais um romance shakespeareano.
Vênus - Isso!!!!!
Íris - Isso o quê?
Vênus - Romeu e Julieta!
Íris - Excelente peça, mas o que que tem a ver?
Vênus - Acabei de me lembrar que eu estava atuando como Julieta, por isso a peruca ruiva!
Sr. L. - Não sabia que Julieta era ruiva...
Vênus - Na verdade eu não sei. Atrizes gostam de mudar de visual para representar personagens famosas.
Sr. L. - Bom, pelo menos você já se lembrou de alguma coisa.
Íris - É, já é um começo.
Tália - Tudo bem gente, mas pra mim não esclarece nada. Quero saber por que estamos aqui! Agora eu é que estou ficando angustiada. Abrace-me Sr. L., preciso de proteção masculina.
Sr. L. - Ainda estou meio irritado com você...
Tália - Por que? Só por ter tentado calar essa menina mimada?
Sr. L. - Viu, olha como você fala!
Tália - Tá bom, tá bom, vou parar.
Sr. L. - A mais mimada daqui talvez seja você!
Tália - Não fale assim L..Você me deixa triste.
Sr. L. - Vai começar a chorar agora?
Tália - Vou. (escorrem lágrimas).
Sr. L. - Oh não!
Tália - (chorando) Isso sempre acontece comigo! As pessoas implicam com a Tália só porque ela é verdadeira. Não é justo!
Íris - Tália (se aproxima), fique calma. (enxuga as lágrimas e a abraça) Eu estou aqui. Vamos sair dessa situação, eu prometo.
Tália - Obrigada.
Sr. L. - O que eu fiz pra merecer isso?
Dione - Pessoal! Acho que comecei a me lembrar também.
Sr. L. - Lembrar do que?
Dione - De como vim parar aqui. Acho que já sei o que está acontecendo.
Vênus - Diga logo!
Dione - Fomos sequestrados...

BRILHO ETERNO DAS LEMBRANÇAS

Tália e Sr. L. despertam.

Tália - Que droga, essa sala não possui nem sequer uma janela! Perdi a noção do tempo...
Sr. L. - Perdemos a noção de muitas outras coisas. Olhe, estamos nús!
Dione - Bom dia pra vocês!
Vênus - Isso se já for de dia...
Íris - Não consegui dormir direito.
Sr. L. - Eu consegui, e muito bem. Até sonhei!
Tália - Sonhou com o quê?
Sr. L. - Quatro anjos me carregando até os portões do céu. Avistei uma luz que quase me cegou. Depois disso, acordei.
Tália - E era sonho ou foi mais uma projeção atral?
Sr. L. - Dessa vez era sonho.
Dione - Meus pais devem estar preocupados comigo.
Vênus - Claro, com uma filha bonita como você!
Dione - Obrigada! Você também é muito bonita.
Íris - Vênus, você é uma das mulheres mais lindas que já vi!
Vênus - Nossa, quantos elogios... Por um momento até esqueci que estou presa num cubículo escuro e completamente nua. Íris - O "estar nua" para mim é a melhor parte disso tudo...
Vênus - Por quê?
Íris - Nunca temos a oportunidade nessa nossa vida em civilização. Eu sou meio rousseauista.
Sr. L. - Sempre quis conhecer uma moça como você, ligada nos assuntos intelectuais...
Íris - No começo achei que não iria gostar do meu curso, mas fui me apegando a essas coisas, a esses tipos de idéias filosóficas. Hoje sei que é o que quero. Adoro filosofar!
Tália - O L. também é antenado nessas coisas. Adoro homem inteligente!
Sr. L. - Obrigado!
Vênus - E você Dione, vai tentar entrar na faculdade?
Dione - Acho que sim. Não pensei muito nisso...
Vênus - Seu corpo é muito bonito, sua postura também. Seria uma boa atriz.
Dione - Você acha mesmo!?
Vênus - Com certeza!
Dione - Vou pensar nisso. Obrigada!
Vênus - Se precisar de alguma coisa, pode contar comigo, desde que saiamos daqui.
Dione - Ok. Íris - Tenho certeza que depois que sairmos daqui a Vênus fará muito sucesso em algum filme.
Vênus - Isso aqui será uma boa jogada de marketing.
Sr. L. - Quando sair daqui, terei grandes idéias para meu novo romance. Será algo como 1984 ou admirável mundo novo, só que se passará num cubículo como esse. No caso, farei como se alguém estivesse observando os atos das pessoas de dentro do cubículo, tal qual o Big Brother...
Tália - Você é um gênio!
Íris - Vocês acham que alguém está nos observando realmente?
Dione - Isso me dá medo...
Vênus - E se a pessoa que nos observa estiver aqui dentro dessa sala, infiltrada?
Sr. L. - Ótima idéia! Aliás, eu não pensaria em algo assim. Realmente, muito original!
Íris - Você quer dizer que algum de nós pode estar mentindo e pode ser a pessoa responsável por isso tudo?
Vênus - Sim, foi isso que quis dizer, mas foi somente uma suposição.
Sr. L. - A qual pode ser muito válida! Dione - Eu confio em vocês.
Sr. L. - Estou com fome...
Tália - E eu com sede.
Vênus - Que tédio! Preciso muito de um cigarro!
Íris - Olhem, o trinco da porta está se mexendo!
Sr. L. - Agora vou pegá-lo. Preparem-se, teremos todas nossas respostas!
Mordomo - Aqui está o pão e a ág... Ahhhhhhhhhh
Sr. L. - Agora você vai contar tudinho o que está acontecendo aqui, seu desgraçado!
Mordomo - Calma senhor, calma!
Sr. L. - Anda! Fale logo o que está acontecendo! Por que estamos presos aqui?! Hein!?
Mordomo - Todos vocês sabem, só não querem admitir...Até mais. Hoje, como punição, não receberão nem pão nem água! Tchau...
Sr. L. - Hã?
Dione - Vocês viram o que aconteceu?!
Vênus - Ele sumiu!
Sr. L. - Eu o estava agarrando pelo pescoço! Como ele desapareceu assim?
Íris - Nossa, muito estranho! Nunca vi nada parecido na minha vida inteira. Tália - E agora estamos sem pão e água.
Sr. L. - Desculpem-me.
Tália - Você fez o que achava que era certo.
Dione - O que ele quis dizer quando mencionou que todos nós sabemos o que está acontecendo só não queremos admitir?
Íris - Talvez tenhamos passado por algum tipo de trauma coletivo de modo que nossas memórias foram apagadas.
Sr. L. - Faz sentido.
Dione - Isso é muito tenebroso.
Tália - Que bom seria eu esquecer onde trabalho...
Vênus - Estou ficando um pouco desesperada!
Íris - Acalme-se Vênus... Sente-se aqui no sofá do meu lado.
Vênus - Tá.
Dione - Eu quero minha mãe. Não tô aguentando mais isso!
Sr. L. - Não percam o controle, por favor. Tudo vai se resolver.
Dione - Estou me sentindo muito solitária, mesmo estando aqui com vocês! Sr. L. - Abrace-me então. Isso, calma, calma...
Tália - Ainda bem que você está aqui L. Sinto-me muito mais protegida.
Íris - Está melhor Vênus? De repente ficou estática.
Vênus - Não estou nada melhor.
Íris - Por quê?
Vênus - Porque agora mesmo estou começando a me lembrar...

ÁGUA E PÃO

A porta se abriu e dela apareceu um homem vestido com roupas de mordomo.

Mordomo - Sejam bem vindos! Aqui eu trouxe água e pão para vocês. Isso se repetirá todos os dias. Aproveitem a estadia aqui.
Sr. L. - Quem é você?
Mordomo - Como você vê, sou apenas um mordomo.
Tália - Que lugar é esse?
Mordomo - Não posso dar mais explicações. Minha função aqui é apenas trazer água e pão aos hóspedes. Como já cumpri minha tarefa, devo me despedir. Até amanhã!
Sr. L. - Calma, você não pode sair assim!

A porta se fecha antes que o Sr. L. consiga se aproximar do mordomo.

Sr. L. - Droga! Amanhã eu pego esse cara!
Vênus - pelo menos agora temos água e pão. Olhem só, 3 fatias de pão e 3 copos de água! Somos em 5, eles não sabem disso?!
Íris - Teremos que dividir!
Dione - Podem comer, eu estou completamente sem fome.
Vênus - Preciso comer, porque estou começando a sentir abstinência de cigarro. Uma fatia de pão não substitui, mas pode dar uma enganada.
Íris - É uma boa oportunidade pra você parar de fumar.
Vênus - Nunca senti tanta vontade na minha vida como agora. Estou um pouco tensa!
Dione - Eu também! Que lugar será este? Quem é aquele mordomo?
Sr. L. - Talvez estejamos sendo observados por algum ricaço. Deve ter uma câmera em algum lugar dessa sala...
Tália - Se não forem traficantes de órgãos, são algum segmento de sadomasoquistas, com certeza!
Dione - Estou ficando assustada.
Sr. L. - Devemos manter a calma. Íris, por favor, pode separar o pão e a água para as pessoas que quiserem? Assim como Dione, estou sem fome. Portanto, podem pegar as fatias de pão você, Vênus e Tália. Apenas gostaria, se possível, de um gole de água.Tália - Posso dividir com você, se quiser!
Sr. L. - Muito obrigado!
Íris - Dione, quer dividir comigo um copo de água?
Dione - Ah, eu quero! Valeu! Estou com muita sede.
Vênus - Se alguém quiser dividir comigo também fique à vontade.

Sentam-se Tália e Sr. L. em um dos sofás, Dione e Íris no outro sofá. Vênus fica sentada no tapete, conversando com as duas últimas. Servem-se da água e do pão.

Tália - Então você é escritor?
Sr. L. - Tento ser.
Tália - Escreve sobre o que?
Sr. L. - Um pouco de tudo. Histórias de amor, histórias com conteúdo mais filosófico, contos de mistério, coisas do tipo.
Tália - Que interessante! Eu nunca conversei com um escritor.
Sr. L. - E agora deve ter percebido que não é uma grande coisa! haha!
Tália - Ainda não tirei minhas conclusões. Vou esperar o resto da conversa para saber. Até agora você está indo muito bem.
Sr. L. - Obrigado.
Vênus - Nunca uma fatia de pão foi tão gostosa!
Íris - Realmente!
Dione - Engraçado, ontem estava na minha cama dormindo tranquilamente e hoje acordei aqui.
Vênus - Isso aqui está me lembrando uma peça de teatro que já li. Só preciso de mais algum tempo para me lembrar dela. Sei lá, minha cabeça está um pouco confusa.
Íris - Eu sei do que você está falando! Adoro Sartre, existencialismo, essas coisas...
Dione - Nem sei do que vocês estão falando...
Vênus - Entre quatro paredes Dione.
Dione - Nunca ouvi falar.
Íris - Sartre foi um grande pensador francês e escreveu uma peça de teatro com o título de "Entre quatro paredes".
Vênus - Uma peça excelente, pra variar...
Íris - É incrível!
Sr. L. - Como é trabalhar no Burger King?
Tália - Cansativo e repetitivo. Eu fico no caixa. Não vejo a hora de sair daquele lugar. Sr. L. - Logo você consegue, é só mentalizar.
Tália - Você acredita nessas coisas? Eu já vi o filme do "Segredo". Não sei não, parece muito estranho.
Sr. L. - Essas coisas de repente ficaram muito populares não é? Mas eu acredito um pouco nesse negócio de energia, de mentalização. Só não se pode levar às últimas consequências. Já ouviu falar de viagem astral ou projeção astral?
Tália - Não que eu me lembre.
Sr. L. - Já aconteceu comigo uma vez. Foi como se minha alma saísse do meu corpo e andasse por aí para depois retornar. E o mais interessante: é completamente diferente de um sonho, pois você fica muito lúcido.
Tália - Que doido! Bem que isso podia acontecer comigo pelo menos uma vez. Quase não sonho. Talvez seja o cansaço.
Sr. L. - Alguma vez você teve uma espécie de pesadelo no qual você fica paralizada na cama e não consegue nem gritar por ajuda?
Tália - Como você sabe disso?
Sr. L. - É que isso acontece com todos. Isso é o início da projeção astral. Você estava prestes a sair do seu corpo, só que ficou muito apavorada e não conseguiu. Se ficasse tranquila, teria vivido a mesma experiência que eu tive.
Tália - Nossa, que estranho!
Sr. L. - Muito. As pessoas sentem medo e impedem a alma de sair do corpo pra fazer essa viagem astral.
Tália - Prometo pra você que dá próxima vez não vou me apavorar. Aí minha alma vai no seu quarto fazer cócegas nos seus pés! haha!
Sr. L. - Combinado! Quanto às cócegas, pode tentar, mas não conseguirá. Além disso, nem sinto tantas cócegas...
Tália - Veremos. Estou com sono, você não está?
Sr. L. - Bastante. (falando alto) Meninas, vocês não estão com sono?
Vênus - Nossa, estou pregada. E vocês?
Dione - Eu também!
Íris - Que tal dormirmos um pouco?
Sr. L. - Sim! Eu fico no tapete.
Tália - Acho que vou ficar no tapete também... Se você não se importar...
Sr. L. - Imagina.
Vênus - Vou naquele sofá que agora está vazio.
Íris - Acho que fico nesse que agora estou.
Dione - Então vou para o outro, no qual estavam L. e Tália.
Sr. L. - Então vamos dormir. Quem sabe amanhã essa situação se resolva.
Íris - É o que todos esperamos...